Histórico
O Projeto Bandeira Científica foi idealizado no início da década de 1950 por acadêmicos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sendo consolidado a partir de 1957. Voltada para a educação e a pesquisa de campo na área médica, a Bandeira manteve em vista a atuação dos estudantes (em média 25 por ano) em um contexto diferente daquele visto nos hospitais, por meio do contato com diferentes realidades da população brasileira. A partir dos dados coletados durante as expedições, o projeto gerou diversos artigos para publicações científicas, principalmente nas áreas da microbiologia e da parasitologia. Em 1969, foi interrompido devido a problemas políticos entre o regime militar e a Faculdade.
Trinta anos depois, em 1998, um grupo de estudantes da FMUSP encontrou arquivos referentes ao Projeto e decidiu se organizar para reativá-lo, passando à configuração de Projeto de Extensão Universitária da USP. Com a retomada do projeto, uma nova vertente foi introduzida: o assistencialismo à população. Assim, a Bandeira passou a ter não somente papel educacional (buscando orientações a profissionais da saúde e à população local) e de pesquisa (direcionada para aspectos característicos da região), mas também o assistencial, por meio do atendimento médico à população e do diagnóstico da saúde local.
As novas expedições têm sido marcadas pelo contato com a Prefeitura do Município, bem como com outros gestores, como forma de garantir a continuidade da atuação dos alunos após os dez dias de expedição. Ao longo dos anos, cursos de outras unidades da USP foram incorporados ao Projeto, aumentando sua área de atuação e proporcionando à população atendida um cuidado mais abrangente e interdisciplinar. Essa mudança acompanha a nova definição de saúde estabelecida pela Organização Mundial de Saúde, na qual a saúde não é vista como a ausência de doença, mas sim como o completo bem-estar “bio-psico-social” do indivíduo.
| Expedições Antigas |
| 1998 - Cajati (SP) Com a retomada do projeto, 23 estudantes de medicina da FMUSP realizaram a expedição para Cajati, São Paulo. Nesse ano, o enfoque foi dado para as áreas de ensino e pesquisa, como realizado no projeto inicial. Não foram realizados atendimentos à população.
Palestras Educativas 70
Exames parasitológicos de fezes 293
Amostras de sangue (sorologias para Chagas, Toxoplasmose e Leishmaniose) 293
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| 1999 – Eldorado (SP) Com um número crescente de participantes (39), a Bandeira Científica foi para Eldorado, São Paulo, no Vale do Ribeira. Nesse ano, foi introduzida a vertente assistencial ao Projeto, sendo realizados 700 atendimentos, já com a preocupação de formar parcerias com o Sistema de Saúde local para garantir o acompanhamento dos pacientes.
Atendimentos 700
Palestras 10
Amostras de sangue (sorologias para Chagas, Malária e Leishmaniose) 229
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| 2000 – Monte Negro (RO) A expedição foi para Monte Negro, Rondônia. Esta foi a primeira vez fora do estado de São Paulo, desde a retomada do Projeto. Para garantir a continuidade da intervenção realizada, foi criado o Instituto de Ciências Biomédicas 5 (as 4 outras unidades do Instituto se localizam no campus de São Paulo da USP), responsável por atendimentos médicos de acordo com o Programa Saúde da Família local. Ainda em 2000, o Projeto Bandeira Científica recebeu o Prêmio Saúde Brasil, concurso nacional para estudantes universitários de Medicina sobre trabalhos socialmente responsáveis.
Atendimentos 1.217
Exames de Papanicolau 287
Exames de Gota Espessa 51
Vacinações 423
Exames parasitológicos de fezes 148
Palestras para Agentes de Saúde 7
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| 2001 – Buriticupu (MA) |
| 2002 – Serra dos Aimorés (MG) |
| 2003 – Presidente Epitácio (SP) |
| 2004 – Teotônio Vilela e São José da Tapera (AL) |
2005 – João Câmara, Jandaíra e Bento Fernandes (RN) Com três cidades visitadas, João Câmara, Jandaíra e Bento Fernandes, no Rio Grande do Norte, a expedição desse ano ainda foi marcada pelo início da participação do curso de Nutrição e pela utilização de aparelhos de Eletrocardiograma e Ultrassonografia, cedidos para a expedição pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina. Assim como nos outros anos, a parceria com uma universidade local, neste ano a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, mostrou-se efetiva no sentido de garantir a continuidade das ações. Também em 2005, o Projeto foi tema do documentário Bandeira Científica da TV USP, agraciado com a Menção Honrosa do Júri Oficial na categoria TV Universitária durante o 12º Gramado Cine Vídeo.
Atendimentos 3.586
Atendimentos Oftalmológicos 1.012
Exames de Papanicolau 252
Eletrocardiograma 130
Ultrassonografias 360
Avaliações Nutricionais 504
Palestras com alunos no Ensino Médio 5
       
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| 2006 – Machadinho D’Oeste (RO) |
| 2007 – Penalva (MA) |
| 2008 – Itaobim (MG) Inicialmente o Projeto aconteceria na região sul do país, mas devido a problemas na negociação, os organizadores tiveram que selecionar uma nova cidade faltando um mês e meio para a expedição. Isso não impediu o sucesso desta, na qual houve uma integração ainda maior entre as áreas participantes. A cidade que recebeu o Projeto foi Itaobim, Minas Gerais, conhecida como a “cidade da manga”. Para garantir a continuidade das ações, foi firmada parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais.
Atendimentos Médicos 5.733
Exames 1.053
Óculos 531
Próteses dentárias 26
293
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| 2009 – Ivinhema (MS) A expedição foi para Ivinhema, Mato Grosso do Sul. Houve a participação do curso de Fonoaudiologia da USP. Além disso, foi feita a parceria com a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS). Inspirados pelo projeto Bandeira Científica, os alunos da universidade parceira implantaram, em 2010, o projeto “UFMS Sem Fronteiras” para garantir o acompanhamento da região de Ivinhema, além de procurar novas regiões de atuação. Em 2009 o Projeto Bandeira Científica recebeu do Ministério de Ciência e Tecnologia e do Instituto de Cidadania Brasil o Prêmio Cidadania Sem Fronteiras, pelo trabalho realizado a favor da educação e cidadania ao longo dos anos.
Atendimentos 5.615
Exames 2.312
Óculos 610
Próteses dentárias 40
Palestras/oficinas 62
Medicamentos doados 1 tonelada
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