Após passado tumultuado, Rádio Comunitária de Inhambupe segue firme e sozinha
Eram dez horas da manhã quando Rafael Souza Nascimento terminou seu programa dominical e recebeu a equipe de comunicação da Bandeira Científica para uma conversa em sua sala. Rafael é um dos fundadores da rádio que com mais de 13 anos de vida já passou por muitos percalços até se consolidar como único veículo de comunicação da cidade de Inhambupe.
Antes localizada em um prédio da Igreja Católica, a rádio tem sua origem vinculada à atuação de movimentos religiosos e sociais na cidade. “A ideia surge a partir de uma necessidade sentida no decorrer da história do movimento social. Começamos com a ajuda da associação que dá suporte à emissora, a Associação Beneficente Cultural e Comunitária de Inhambupe(ABCI), depois passamos a viabilizar instrumentos para as ações na cidade, e então pensamos em uma rádio comunitária”, conta Rafael.
Até a obtenção de sua outorga de funcionamento, a rádio sofreu duas intervenções da polícia federal. Uma liminar judiciária permitiu a reabertura após a primeira intervenção policial; no entanto, foi da segunda vez que a rádio sofreu danos maiores. “Além de tirar a rádio do ar, o transmissor foi levado e fizeram ameaças para que a gente parasse com a nossa proposta. Mas então saiu a outorga e; agora temos outras questões, como sustentabilidade e manutenção”, afirma Rafael.
Assim como muitas rádios comunitárias, desde o início de suas atividades a rádio focou sua linha editorial na participação da comunidade e na abordagem de questões de interesse do município. “Nosso objetivo é uma comunicação não exclusivamente linear, mas que ajude a pensar, a discutir, a caminhar e apontar saídas. Eu vejo que trabalhar na rádio é uma prática importante para pontuar questões, melhorar a qualidade de vida e o acesso à informação, para a mudança de mentalidade. Sobretudo, acredito que a comunicação tenha essa importância”, ressalta Rafael.
O financiamento das atividades da rádio é feito principalmente através do apoio cultural de comerciantes. Além disso, existe a coleta de dinheiro por parte de membros da ABCI e da comunidade através de rifas. A equipe da rádio também ajuda em eventuais custos. Ao todo, são 12 colaboradores na rádio.
Jovem colaborador
Rafael Júnior, apresentador do programa Tarde de Agito, no ar todas as tardes de sábado, acabou de se formar no Ensino Médio e é colaborador da rádio há três anos. O começo, conta Rafael, foi bastante inesperado e difícil: “um colega foi convidado para substituir outro rapaz no Tarde de Agito. Nessa época não havia programa em dupla aqui na cidade, só programas individuais, então ele me convidou e eu disse ‘bora’, sem nunca ter entrado em uma rádio antes”.
O programa é voltado para o público jovem e privilegia músicas internacionais, remixadas e de gêneros como o hip hop. De acordo com Rafael, mesmo depois de algum tempo trabalhando na rádio, a responsabilidade não diminui. “Uma rádio é complicada, são 15, 17 mil pessoas que vão ouvir o que você fala na rádio. Tudo tem que ser medido”, afirma.
Por Tulio Bucchioni
Equipe de comunicação do Bandeira Científica