15
Dez
2010

Agenda 21 – parte 3

A maior parte das soluções apresentadas pelos moradores era bastante acessível. Foi sugerido o fim das queimadas, a construção conjunta de uma igreja, a pavimentação coletiva das ruas por um mutirão de homens, a sistematização de reuniões da Associação. Uma mulher mais nova, de pouco mais de trinta anos, cujas duas irmãs estavam presentes e admiravam com atenção sua fala, propôs que as mulheres de Moita Redonda se organizassem tal como um grupo de mulheres de Inhambupe e começassem a fazer bordado, ponto cruz, corte e costura para arrecadar dinheiro. “Não é só o homem que tem que trabalhar; a mulher não pode ficar em casa sem fazer nada!”, sentenciou.

Terminada a exposição das soluções, os estudantes de agronomia encaminharam a atividade para o final. Diante de um quadro branco com o logotipo da Bandeira Científica, foram listadas as principais ações possíveis de serem realizadas pelos moradores, ao lado do nome de um responsável por organizar-las em um dado prazo de tempo. Prender cachorros doentes (são 56 cachorros na comunidade), encaminhar o lixo todo para um mesmo local específico – mais próximo à entrada da comunidade, único local por onde o caminhão de lixo da prefeitura passa – fazer uma composteira, marcar reuniões com autoridades para discutir a pavimentação das ruas e uma confraternização entre os moradores estavam entre as medidas finais.

Já cansados, tamanho era o calor daquele dia de sol na zona rural no interior da Bahia, os moradores estavam, no entanto, muito felizes com o resultado das atividades e com a estadia da Bandeira na comunidade.  André Delgado, estudante de agronomia, parecia muito satisfeito quando conversamos pouco mais tarde, na frente da creche onde a equipe da Bandeira está hospedada. “A Esalq preza muito pela não pontualidade das ações, discutimos desde março como não ser pontual, como não ir lá e plantar uma horta, as pessoas plantarem e acabou; a minha expectativa foi completamente superada, foi fantástico, está sendo fantástico aqui”, afirmou.

Apesar de reconhecer a dificuldade política que algumas demandas implicam, Flávia também estava otimista com o resultado da atividade. “É claro que o lado político a gente fica triste porque a gente não pode resolver – calçamento, igreja, escolas, é complicado para nós. Mas várias coisas que são fáceis de resolver eles podem fazer; todos entraram no consenso das dificuldades que têm e que eles conseguem conversar, eles conseguem chegar a um foco”, avalia. Talvez seja como Maria Olga, que é uma das fundadoras da Associação junto a sua família de 21 filhos, me disse no começo da atividade: “é preciso muita luta, muito calor e muita chuva pela frente”.

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Tulio Bucchioni

15
Dez
2010

Agenda 21 – parte 2

Dificuldades

Zé do Pão é um homem magro, alto, de cerca de quarenta e cinco anos. É ele quem preside a Associação de Moradores e Trabalhadores de Moita Redonda. De fala calma e simpática, ele me conta sobre os principais problemas da comunidade. “A maior dificuldade é saneamento básico e pavimentação; todas as estradas que levam mercadorias, onde os tratores passam, tudo está sem asfalto”, desabafa. De acordo com Zé, mesmo depois de várias reuniões com a prefeitura e com vereadores, até mesmo na própria comunidade, nenhuma ação concreta foi tomada.

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Zé do Pão

Outro problema é a participação efetiva dos moradores nas reuniões da Associação. No decorrer da finalização da Agenda 21, as pessoas presentes foram convidadas a escrever em um papel as soluções que poderiam levantar para os problemas identificados no dia anterior de atividades. Durante as apresentações das soluções, repetidas vezes foi solicitada maior participação de moradores e de jovens nos encontros da Associação. Uma senhora baixinha, de saia estampada e um pequeno coque no topo da cabeça, foi bastante enfática: “precisamos retificar os nossos direitos!”.

Aquele dia de atividades talvez fosse uma exceção na rotina da Associação. “Hoje temos mais de 40 pessoas; na maioria das vezes, temos de 15 a 25. Ao todo temos entre 100 e 150 pessoas na comunidade; a participação nas reuniões é pequena”, avalia Zé. A comunidade sobrevive basicamente de crédito conseguido junto ao Estado. O Banco do Nordeste e o Desenbahia, órgão do governo estadual baiano, são os principais financiadores de empréstimos para a comunidade. Cooperativas do município de Inhambupe também costumam emprestar crédito para os trabalhadores.

De acordo com Zé, na maioria das vezes a produção local é levada por algum “atravessador” ou por pessoas da própria comunidade que vendem a produção para cidades próximas – Alagoinhas, Feira de Santana e Salvador. “O forte da produção é laranja, depois vem o maracujá e o milho; temos ainda o quiabo e o amendoim”, diz Zé. Plantam também pimenta, manga, acerola, batata doce, banana, cebola, coentro, coco, limão. São 9 hectares para cada família. Esperam começar a fazer irrigação na agricultura.

Depois da colheita do inverno, é no verão que surgem os problemas. A vinda do período de seca e a ausência de técnicas de irrigação eficazes para resolver o problema inviabilizam a produção agrícola. “No verão a gente passa uma temporada boa sem colheita; a gente procura um trabalho fora, mas sempre tomando o cuidado de deixar parte da nossa colheita para esse momento; uma das soluções é a irrigação. Já existem projetos sendo encaminhados”, revela Zé.

Maria José

É do verão que Maria José tem medo. “Para viver aqui, meu filho, é muito difícil. Não têm recursos; agora chegou o verão, não têm”, revela. Pouco a pouco, essa senhora timidamente ansiosa para conversar conta que o marido é bastante nervoso, que tem depressão e que seus dois filhos mais velhos nem estudam, nem trabalham. “Não vou ficar dizendo que eles estudam, porque não estão estudando, né?! Tenho que falar a realidade”, confessa. Em vez de estudar, os primogênitos de uma família de 15 filhos gostam de sair por aí andando a cavalo ou de bicicleta. O marido, que há alguns anos conseguiu atendimento médico, se recusa a se tratar – “ele tem medo, sabe, de que alguém faça alguma maldade com ele; ele tem medo de agulha”. Maria José participa da Associação e foi lá que aprendeu a plantar, colher e adubar as plantações. Atualmente, trabalha em casa, cuidando dos filhos.

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Tulio Bucchioni

15
Dez
2010

Agenda 21 – parte 1

Cabelos repartidos ao meio e presos à altura do pescoço, Maria Olga Reis parecia entusiasmada em mostrar a um grupo de estudantes de fisioterapia e comunicação como se plantava de verdade uma batateira. Com sua enxada, movia-se para frente e para trás enquanto posava para as fotos que estavam sendo tiradas. Ao seu redor, todo o verde de palmeiras e do campo da comunidade de Moita Redonda, pertencente à cidade de Inhambupe e local de morada e trabalho de Maria Olga.

olga

Na sede da Associação de Moradores e Trabalhadores rurais da comunidade, cerca de 40 pessoas, a maioria mulheres e crianças, aguardavam ansiosamente o início do segundo dia de atividades preparadas pelos alunos de agronomia da Esalq (Escola de Agronomia Luís de Queiróz). No dia anterior, tivera início a Agenda 21 na comunidade, uma atividade cuja proposta principal é traçar um planejamento estratégico com os moradores, identificando problemas comuns, sonhos para o futuro e, finalmente, possíveis soluções para o que foi levantado.

“Oh, Maria, você não tem

Aqui nessa roda quem te queira bem;

Eu tenho, eu tenho sim

Eu tenho José que gosta de mim”

Foi assim que começou a reunião com a Esalq. Os moradores ensinaram a música no dia anterior aos alunos, que no dia seguinte já a tinham decorado. Dentro da Associação, era possível identificar três enormes cartazes feitos de papel pardo, aonde bilhetinhos escritos à mão com canetas coloridas estavam colados e separados adequadamente de acordo com o assunto a que se referiam e ao grande tema que pertenciam. O primeiro cartaz, mais abaixo que os outros, levava um título sugestivo: Muro das Lamentações. Qualquer um que se aproximasse encontraria ali somente demandas não resolvidas ou insatisfações da comunidade: reclamações contra a administração pública, como a falta de pavimentação nas ruas e de um posto de saúde local, a necessidade de mais emprego para os jovens. Logo acima, no cartaz Árvore dos Sonhos, casinhas coloridas representavam o desejo da construção de uma igreja e de mais moradias. Com mãos de todos os tamanhos saindo de um pequeno globo terrestre pintado de verde, um morador ressaltava a necessidade de mais união na comunidade. Outro escrevia em letras garrafais: “o meu sonho é ver aqui um calçamento para todos”.

problemas

Detalhe da árvore dos sonhos

Flávia Dias, uma das estudantes que organizou a atividade, emocionou-se com o resultado do primeiro dia de atividades: “no começo, eles foram bem singelos, depois se libertaram mais; eles lamentaram várias coisas que são diferentes da nossa realidade, por isso eu chorei várias vezes durante a nossa estadia por lá”, revela. A organização da comunidade também impressionou Flávia. Todos os moradores possuem seus terrenos e são obrigados a trabalhar pelo menos uma vez por semana no terreno da Associação; para fiscalizar o trabalho, existe uma agenda e assim é possível identificar aqueles que não cumpriram com o combinado.

Apesar dos dez anos da Associação, as prestações do terreno ainda não foram quitadas com o banco e, por isso, o lucro obtido com as plantações de maracujá, laranja e acerola é todo voltado para os gastos da entidade. “Essa é uma comunidade rural extremamente organizada, eles não sabem a organização que eles têm; um ponto importante é o fato de eles serem desunidos por parte da comunidade ser sergipana e o baiano não aceitar o sergipano”, avalia Flávia.

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica
Por Tulio Bucchioni

15
Dez
2010

Materiais adaptados viabilizam atendimento odontológico

Uma sala de aula é modificada para receber um consultório odontológico. As carteiras dos alunos fazem as vezes de cadeiras reclináveis; as crianças menores deitam no colo dos alunos para serem atendidas, em almofadas feitas pela fisioterapia. O atendimento não é o ideal, mas é o que a Bandeira Científica consegue fazer.

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Atendimento odontológico em uma criança

Para a prevenção de maiores problemas nas crianças de idade escolar, antes do atendimento as crianças assistem a uma aula sobre os dentes, a mandíbula, placa, cáries e escovação. Porém, para ensinarem a escovar os dentes na prática, esbarravam em um empecilho: não há pias na maioria das escolas. Com isso, não há acesso ou estímulo para a criança escovar os dentes.

Bruno, dentista e discutidor da Bandeira, fez um escovódromo, para ser levado nas escolas onde o atendimento odontológico vai. Tubos de PVC, torneiras de plástico e um vaso plástico para jardins, adaptados a uma mangueira são o suficientes para que uma fila de crianças escove os dentes. Os bandeirantes irão passar esse projeto a coordenadora de saúde bucal, esperando que pias mais adequadas sejam instaladas nas escolas.

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dentista

Crianças usando o escovódromo


Ao invés da maquininha de dentista, da qual todos têm medo e desgosto, é usado um compressor portátil, podendo ser levado em diferentes postos de atendimento. O motor de água é acoplado em duas garrafas PET e a lanterna usada na testa pelos dentistas é, na verdade, de bicicleta.


A técnica usada para restaurar os dentes de leite também é uma adaptação aos poucos recursos, pouca estrutura e pouco tempo, para fazer uma restauração permanente. Chamada de técnica restauradora atraumática, é realizada em dentes de leite. Depois de limpar a cavidade deixada pela cárie com cureta, água, algodão e clorexidina – um anti-bactericida – ela é preenchida com cimento de ionômero de vidro, que tem grande adesividade e ainda libera flúor. É uma técnica que dura menos, mas é mais prática, menos traumática e mais simples.


Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Karin Salomão

Fotos por Genivaldo Carvalho

14
Dez
2010

“A gente veio para ensinar, mas acabou aprendendo um monte de coisa”

Aprendizado junto à população foi o ponto forte da visita a comunidade de agricultura orgânica de Volta de Cima, no dia 14. Alunos da Poli e da Esalq visitaram a comunidade e observou que as famílias já implementaram a  compostagem, irrigação adequada e rotação de culturas.

A comunidade adapta algumas melhorias aos recursos disponíveis e à própria realidade. A compostagem, por exemplo, é feita com um método que permite uma produção maior de adubo seja produzida, enquanto o método que estava sendo apresentado pelos alunos até então era planejado para uma quantidade menor de detritos.

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Plantação comunitária, dividida em módulos

Além disso, o método de irrigação usado é um ótimo exemplo de reutilização de descartáveis. Conectados a uma mangueira, estão tubos de cotonete, devidamente cortados, queimados e adaptados, que garantem uma pressão de irrigação muito boa, quase uma névoa por sobre os vegetais.

Em torno de 10 famílias plantam nessa associação, liderada por um presidente rotativo. As plantações são divididas por módulos, em que cada módulo planta um tipo diferente de cultura. Manuel Sabino Vicente de Souza – “tem mais nome do que gente”, diz ele – tem 36 módulos. Está há 12 anos nessa comunidade e alimenta os três filhos com o fruto da terra. “A família toda ajuda, para plantar ou para vender na feira”, diz.

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Manuel Sabino Vicente de Souza, que “tem mais nome do que gente”


São plantados, colhidos e vendidos pela comunidade abóbora, erva doce, mamão, alface, couve, pimenta, pimentão, salsinha, cebolinha, coentro, mandioca, aipim, berinjela e muito mais. Os principais pontos de venda são as feiras livres em Biritinga, Sátiro Dias e Inhambupe.

Manuel também mostrou aos alunos como é feita a compostagem comunitária. Ao ar livre ou dentro de um buraco, feito principalmente com esterco de gado e galinha, mato e água. Reviram de mês em mês ou a cada duas semanas. Depois da fermentação, o composto é usado para adubar a terra. O único problema desse método é que o esterco de animal pode carregar doenças.

Segundo Diego, aluno da ESALQ, “viemos para ensinar e aprendemos um monte”. Para Denise, aluna de Engenharia Ambiental da POLI, “do jeito que eles estão fazendo, com os recursos que têm, está excelente. Só falta agora a população valorizar o produto orgânico, porque em cidade pequena o povo deveria dar maior importância a cultura orgânica local”.

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Pepino plantado no terreno comunitário


Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Karin Salomão

13
Dez
2010

Ainda há quem migre para as terras do sul?

De calça de fibra branca impecavelmente passada e camiseta estampada com motivo de flores, seu Daniel esperava com sua banda a hora de entrar em cena e dar início ao show para os mais de cinquenta estudantes presentes no pátio da Creche Arlete Magalhães – alojamento da Bandeira. Na cabeça, o tradicional chapéu em forma de meia lua de couro com broches e fitas penduradas ricocheteando no ar. Seu Daniel, mais conhecido em Inhambupe como seu Nié Pé de Serra, é o protótipo perfeito de forrozeiro arcodeonista nordestino.

Nié

Há cinqüenta anos, seu Nié estava bem longe de sua terra natal – fora tentar a sorte na selva de pedra da capital paulista, São Paulo. Lá, trabalhou primeiramente na construção civil – onde, orgulhosamente, se relembra de ter construído “aqueles prédios do Arouche, de 25 andares” e de suas mãos terem esculpido boa parte dos prédios da avenida Nove de Julho – para depois arrumar um emprego no aeroporto de Congonhas e então, finalmente, começar sua carreira musical como acordeonista.

Histórias como a de seu Nié compõem o imaginário e a biografia de boa parte dos brasileiros quando o assunto é fluxos migratórios no país. No entanto, de alguns anos para cá, especialmente o fluxo Nordeste-Sudeste, se inverteu. É o que aponta o pedagogo e colaborador da rádio comunitária de Inhambupe, Francisco Assis. De acordo com o senhor Francisco, de sorriso simpático e aperto de mão firme, houve uma época em que muitas famílias precisavam sair de Inhambupe para trabalhar em outros estados, principalmente em São Paulo. “Hoje já estamos com esse problema um pouco mais resolvido, já não saem tantas pessoas”, avalia.

De qualquer forma, Francisco, que comanda na rádio comunitária um boletim informativo de leitura de notícias do jornal A Tarde de Salvador e do jornal local, reconhece que o crescimento econômico de Inhambupe já foi maior. A economia da cidade, que era predominantemente baseada na agropecuária, sofreu mudanças nos últimos tempos com a chegada da agroindústria e do plantio de pinho e eucalipto para a atividade de reflorestamento. “A atividade da agroindústria é basicamente o melhoramento de sementes, para uma produção em larga escala e o melhoramento genético, para uma produção de frutas, como limão, laranja e melancia”, conta Francisco. Ambas as atividades visam o mercado externo.

Quando questionado sobre o benefício direto dessas atividades para a população, seu Francisco aponta primeiramente a geração de empregos – mesmo que reduzida. A indústria de reflorestamento, por exemplo, com empresas provenientes de Santa Catarina e do Rio grande do Sul, costuma trazer funcionários para a cidade, revela Francisco. De qualquer forma, o aumento da população e do poder aquisitivo ativaram o setor de construção civil e incrementaram o setor de serviços, com a abertura de escritórios e clínicas médicas.

Assim como seu Nié, que levou onze dias para chegar a São Paulo de trem nos anos sessenta, ainda há quem continue migrando. “Os de maior poder aquisitivo vão estudar em Salvador, São Paulo, Rio de janeiro e Belo Horizonte”, diz Francisco. Seu Nié, cujos filhos ainda vivem em São Paulo, não pôde continuar no exílio: “sou daqui, minha família é daqui, casei aqui; tive que voltar”.

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Tulio Bucchioni

13
Dez
2010

Campeonato de Futebol Society de Veteranos

A grande final do campeonato aconteceu diante de nossa porta, no domingo. Dezenas de pessoas assistiam ao jogo, tomavam água de coco e brincavam com seus filhos, ouvindo axé.

O primeiro jogo decidiria ente o 3º e 4º colocados, entre Parma e Vila Nova. O segundo tempo terminou assim como o primeiro, com 1 a 1. O Parma, que jogava pelo empate, classificou-se como 3º colocado.

A final contou com fotógrafos, gandulas, até o prefeito estava presente. André, o fotógrafo, tirou a foto oficial dos times. Ele também faz fotos de casamento, aniversário, bodas. É só falar com ele, no Cesta Supermercado.

Márcio era um dos quatro gandulas do jogo. Com 13 anos e um uniforme novo, que exibia com orgulho, ele joga futebol com os amigos da rua; joga “muito bem”, aliás. Ele participou como gandula de todos os jogos do campeonato, porque “é bom ajudar o jogo”. Na ânsia de mostrar eficiência, houve momentos em que a partida rolou com duas bolas em campo, ao mesmo tempo.

A disputa do segundo jogo foi entre o 1º e 2º lugar, decidida entre Real Madrid e o Havaí. Uma partida em que “haja coração!”, como não o narrador não cansava de repetir. O jogo foi disputado, a torcida comemorava as bolas que raspavam na trave e mesmo as bolas errantes.

futebol

Jogador do Real Madrid

Em um pênalti polêmico que o juiz não marcou, os jogadores e a torcida se exaltaram. Um torcedor entrou em campo, para pedir satisfações do juiz sobre o lance e quase que a polêmica terminou em briga entre os dois times, o juiz e a torcida. A diplomacia do juiz resolveu a questão: não marcou pênalti, mas apenas uma falta a 5 passos da área.

3 a 1 foi o resultado da final. O campeão foi o time Havaí, que saiu com um troféu, prêmio em dinheiro e uma caixa de cerveja. Os 2º e 3º lugares também foram premiados.

O Campeonato de Futebol Society de Veteranos é uma realização da parceria entre a Secretaria do Esporte, turismo e lazer e a Liga Inhambupense de Futebol, com apoio da prefeitura.

Bandeirantes

No fim do dia, os bandeirantes resolveram que também eles mereciam jogar futebol no campo. Integraram-se a umas crianças e adolescentes que já estavam no campo e o jogo rolou até o horário da janta. Até a discutidora Inês Buscariolo jogou, inclusive melhor que alguns bandeirantes.

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Karin Salomão

13
Dez
2010

Bem Vindos a Inhambupe!

Dia 11 de dezembro. Os bandeirantes chegaram a Inhambupe. Depois de quase 12 horas entre ônibus e avião, 160 pessoas desembarcaram e se acomodaram na Escola Arlete Magalhães.

Desde as 4h da manhã, os bandeirantes estavam se arrumando na Faculdade de Medicina. O primeiro ônibus saiu às 5h, rumo ao aeroporto de Guarulhos. Muitos estavam animados, muitos estavam dormindo em pé, não havia meio termo. Os outros passageiros olharam admirados ao saber que aquela fila, de duas horas, era formada por apenas um grupo.

Era muita bagagem. Carregaram malas, remédios, malas, caixas, mais malas para fora do ônibus, para fazer o check-in, tirar da esteira rolante, colocar no ônibus, tirar do ônibus, arrumar nos quartos quando finalmente chegaram a Inhambupe.

Chegada

Desembarcando na creche

chegada

Garoto que acompanhou assustado a chegada dos voluntários

Depois do lanche no avião, a primeira refeição foi às 4h: frutas e pão com manteiga foram devorados como açúcar em formigueiro. Maçã, manga, abacaxi, banana e melancia alimentaram os exaustos e os suados.

Adeânio e sua noiva levaram a equipe de comunicação até a rádio comunitária, onde ouviram forró ao vivo e marcaram as atividades de amanhã. A equipe de fisioterapia ficou no alojamento, escrevendo frases educativas e inspiradoras – e com conotações duvidosas – que tiram um sorriso maroto da cara dos bandeirantes.

chegada

Trabalho da equipe de fisioterapia


Equipe de Comunicação da Bandeira Científica

Por Karin Salomão

12
Dez
2010

Enfim… Inhambupe!

Chegamos aqui ontem, depois de algumas horas de avião e ônibus. Tudo deu certo na viagem, o que surpreendeu até os mais otimistas. A creche Arlete Magalhães, próxima a um enorme campo de futebol, transformou-se em poucos minutos no alojamento dos mais de 200 participantes do projeto.

Inhambupe é uma cidade bonita e a população nos recebeu muito bem. A Bandeira ainda está se organizando: temos de resolver alguns problemas quanto a logística dos bandeirantes, mas tudo está se ajeitando aos poucos, facilitado pela boa vontade do Secretário de Saúde e de todos com quem entramos em contato.

Os discutidores (profissionais já formados que orientam os estudantes nos atendimentos) tradicionalmente ficam em pousadas na cidade. Esse ano, por conta da falta de verba, alguns deles aceitaram dormir no alojamento. Os demais já estão devidamente hospedados em três estabelecimentos de Inhambupe.

Os atendimentos já começam amanhã e a preparação é intensa. Nessa segunda-feira, serão realizados na escola Mário Costa Filho [no centro] e nos povoados de Volta de Cima,  Saquinho e Colonia.
Quanto às atividades educativas, elas acontecerão de manhã e à tarde. No Anfiteatro da Secretaria de Educação, atividades com professores de crianças de 1 a 5 anos. Em Colônia, alunos de engenharia darão uma palestra sobre o uso do hipoclorito para a higienização da água.  A Fisioterapia inicia suas atividades no Grupo de Atividades Físicas, localizado na Associação Recreativa e Cultural de Inhambupe. Amanhã, os trabalhos serão focados em hipertensos e diabéticos.

Até daqui a pouco!!

Por Clara Roman
Equipe de Comunicação

9
Dez
2010

Rumo à Inhambupe!

Estamos na contagem regressiva…

Ontem [quinta] os diretores da Bandeira deram uma dura para carregar o caminhão que partiu para Inhambupe…. e só chega no sábado!

Após algumas horas de trabalho, essa foi a galera que sobreviveu…

… E que se despediu do caminhão,

que partia em meio à chuva de São Paulo, rumo ao calor inhambupense…

Nos vemos em Inhambupe (BA)!

Equipe de Comunicação da Bandeira Científica
Por Manoela Meyer